Andradina teve três mortes por leishmaniose em 2015

Jornal o Liberal Regionalo

O município de Andradina contabilizou no ano passado 25 notificações de leishmaniose visceral em humanos. Destes, 10 foram positivos, com três óbitos. Os dados são da Vigilância Epidemiológica. A elevada letalidade da doença preocupa as autoridades do município. No entanto, conforme foi apurado pela reportagem, o único veículo que servia para retirar cães errantes das ruas (carrocinha) ficou quebrado longo período. Voltou a funcionar há pouco tempo. Outro veículo do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), acidentado, está como sucata na sede do órgão. O veículo era usado para ir às residências onde cães estavam com sintomas da doença para coleta de material para exame.

EPIDEMIA
O Liberal Regional apurou ainda que, em média, sete cães, aparecem com leishmaniose no CCZ, diariamente. Quando o dono não aceita a morte do animal busca outras formas de tratamento. Para morte do animal, há necessidade de autorização do dono por meio de assinatura de um termo.

Veterinários ouvidos pela reportagem dizem que a leishmaniose tem tratamento. ‘O Tratamento da Leishmaniose Visceral Canina pode ser feito utilizando diferentes drogas. As drogas para o tratamento da Leishmaniose Visceral Canina são muito baratas e podem ser, inclusive, manipuladas em farmácias. O tratamento da Leishmaniose Visceral Canina exige compromisso tanto do Médico Veterinário como do proprietário. O tratamento da Leishmaniose Visceral Canina não é proibido. O que está proibido no Tratamento da Leishmaniose Visceral Canina é o uso de Medicamentos da linha humana, mas mesmo esta proibição de uso de medicamentos para o tratamento da Leishmaniose Visceral Canina está sendo questionada judicialmente, pois uma Portaria Ministerial não tem competência legal para proibir um tratamento de Leishmaniose Visceral Canina. Somente a Lei, em sentido estrito, pode impedir o tratamento da Leishmaniose Visceral Canina’, alegam os profissionais.

O OUTRO LADO
O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) esclarece que o tratamento da leishmaniose continua sendo ilegal e pode trazer riscos para os seres humanos. Continua em vigor a Portaria 1.426/2008 que proíbe o tratamento de animais infectados.

RISCOS
Os estudos não são satisfatórios e os números de morte de seres humanos devido à leishmaniose são alarmantes. Por isso, há a necessidade de se evitar a proliferação do parasita, de todas as formas possíveis. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)estima que cerca de 45 mil pessoas morrem por ano vítimas da leishmaniose no Brasil.

O parasita da leishmaniose é o segundo que mais mata pessoas no mundo, ficando atrás apenas da malária. É uma doença crônica, portanto sem cura, que causa a morte e se apresenta com maior intensidade de acordo com as condições imunológicas do infectado. Como o parasita, mesmo em animais tratados, continua hospedado no organismo dos cães infectados, a forma de se controlar e diminuir a transmissão da doença é por meio da eutanásia.

ORIENTAÇÃO
O CFMV esclarece que o médico veterinário que tratar animais com leishmaniose e for flagrado ou denunciado está sujeito à abertura de processo ético (Resolução CFMV 875/2007). Se condenado terá penalidades como advertência, censura confidencial, censura pública, suspensão por até 90 dias ou cassação do registro profissional de acordo com o Artigo 33 da Lei 5.517/68.

COMO EVITAR A LEISHMANIOSE
Todas as formas de prevenção devem ser tomadas tanto no ambiente, quanto no animal e no homem. Os cuidados com o meio ambiente visam diminuir a reprodução do mosquito palha (flebotomíneo). Essa é a forma mais eficaz de combate. Diferentemente do mosquito da dengue, o transmissor da leishmaniose se reproduz em material orgânico, portanto, recomenda-se que a população limpe os quintais diariamente e não acumule entulhos, madeiras, folhas e dejetos. Também é importante lembrar que governo e população devem ser parceiros para manter as cidades limpas e acondicionar lixos em locais apropriados. Em áreas não pavimentadas é recomendável arar a terra. Em casas são indicadas telas bem fechadas, que se assemelhem ao tecido de anáguas femininas, nas janelas e portas. Onde houver grande quantidade de mosquitos ou casos de contaminação em humanos ou cães por leishmaniose, recomenda-se a dedetização do local com inseticidas do tipo piretroides, banhando as paredes do local. Eles podem ser encontrados em qualquer casa agrícola ou estabelecimento veterinário.

HOSPEDEIRO
O tratamento não promove a cura da doença e o animal contaminado continua sendo hospedeiro e fonte de contaminação por meio do mosquito transmissor. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), somente a adoção de medidas integradas, como o uso de inseticidas e a eutanásia dos cães contaminados, é que poderá garantir a segurança da população e da saúde humana.

Portanto, até que a cura para a doença seja cientificamente comprovada, o posicionamento institucional do CFMV e dos Conselhos Regionais é pelo não tratamento da doença, garantindo assim a segurança e proteção à saúde pública, em conformidade com a legislação federal, Decreto n° 51.838/1963, código penal e recomendações sanitárias.

A reportagem do Liberal Regional tentou, por várias vezes, ouvir o responsável pelo CZZ de Andradina, Aziz Abdenour, sobre o assunto, mas não teve retorno após deixar vários recados.